Notas
16 de janeiro de 2024·3 min

Código verde

Outro dia calculei quantos servidores rodam 24/7 só pra servir ads que ninguém clica.

Não achei o número exato. Mas sei que é obsceno.

O elefante na sala de servidores

A indústria de tech consome cerca de 4% da energia global. Parece pouco até você lembrar que é mais que a aviação civil inteira.

E o que fazemos com essa energia?

Não estou julgando. Eu também assisto Netflix em 4K. Mas vale pensar.

O código que a gente escreve

Cada linha de código ineficiente é energia desperdiçada. Multiplicada por milhões de execuções, vira floresta queimada.

# Isso aqui roda toda hora, em milhões de servidores for user in all_users: # N queries send_notification(user) # vs users = get_all_users() # 1 query send_bulk_notification(users)

A diferença parece pequena. Mas quando você multiplica por escala, por tempo, por datacenters ao redor do mundo...

Micro-otimizações que importam (em escala)

Nada revolucionário. Boas práticas que também são práticas verdes.

A pergunta incômoda

Todo projeto deveria começar com: isso precisa existir?

Nem todo problema precisa de um app. Nem todo app precisa de microserviços. Nem todo microserviço precisa de Kubernetes.

Às vezes a solução mais sustentável é uma planilha. Ou uma conversa. Ou simplesmente não fazer.

O que eu faço (e não faço)

Não vou fingir que sou carbono neutro. Rodo servidores, uso cloud, meu setup de dev consome energia.

Mas tento:

O paradoxo

A tecnologia que causa o problema também pode resolver. Otimização de rotas reduz combustível. Smart grids economizam energia. Sensores previnem desperdício.

O código pode ser parte da solução. Mas primeiro precisa parar de ser parte do problema.


Não tenho respostas. Só a sensação de que a gente deveria pensar mais nisso enquanto escreve aquele loop aninhado.